Quando se trata de avaliar o conselho de administração, essa prática ainda é mais uma exceção do que uma regra nas empresas brasileiras. De acordo com o Anuário de Governança Corporativa da Capital Aberto, apenas cerca de 30% das companhias mais líquidas da bolsa realizam essa avaliação de forma periódica e formal. Isso acontece mesmo com a exigência do Novo Mercado da B3, que pede a divulgação desse processo no formulário de referência. Este guia vai te mostrar a importância da avaliação, quais dimensões considerar segundo o IBGC e como colocar tudo isso em prática.
Por que avaliar o conselho de administração?
A avaliação de desempenho é uma recomendação do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC desde sua primeira edição, lá em 1999. Essa avaliação é fundamental para entender se o colegiado está ciente de suas responsabilidades, identificar possíveis lacunas na composição ou na dinâmica do grupo e ajudar nas decisões sobre reeleição. Sem uma avaliação formal, o conselho pode acabar operando no piloto automático, sem os indicadores de governança que são essenciais para promover melhorias contínuas.

Quais são as dimensões da avaliação de conselho segundo o IBGC?
O IBGC sugere que a avaliação do conselho seja feita sob várias dimensões, que vão além da simples composição formal e incluem também a dinâmica de funcionamento, a cultura e os riscos que o órgão supervisiona:
Composição e dinâmica
Aqui, é importante analisar o perfil, a diversidade e a complementaridade das competências dos conselheiros, além de observar a frequência, a qualidade das discussões e a interação entre os membros durante as reuniões.
Pessoas e cultura
Esse aspecto envolve o clima de confiança, a abertura para divergências e o alinhamento do colegiado com os valores e o propósito que a companhia declara.
Estrutura e processos
Por fim, é essencial avaliar o regimento interno, os comitês de apoio, o fluxo de informações e o prazo para envio de materiais antes das reuniões do conselho.
Estratégia e negócios
O conselho desempenha um papel fundamental na formulação, acompanhamento e questionamento crítico da estratégia de longo prazo.
Riscos corporativos e controles internos
É essencial supervisionar os riscos relevantes, garantir a adequação dos controles internos e avaliar a efetividade dos comitês de auditoria e risco.
Avaliação individual x avaliação coletiva: qual a diferença?
A avaliação coletiva analisa o desempenho do conselho como um todo — sua dinâmica, estrutura e contribuição estratégica. Por outro lado, a avaliação individual se concentra em cada conselheiro, considerando aspectos como assiduidade, preparo e participação nas discussões. O IBGC recomenda que ambas sejam realizadas em conjunto: a avaliação individual pode influenciar decisões de reeleição, enquanto a coletiva ajuda a traçar planos de melhoria para o órgão como um todo.

Como estruturar um processo de avaliação de conselho na prática
Na prática, o processo deve incluir: definir a abrangência (individual, coletiva ou ambas) e a metodologia; aplicar questionários estruturados, preferencialmente com a ajuda de um facilitador externo para garantir a imparcialidade das respostas; consolidar os resultados com a presidência do conselho ou o comitê de pessoas; e transformar os achados em um plano de ação com prazos e responsáveis bem definidos. É aconselhável repetir esse ciclo anualmente, com uma avaliação mais detalhada a cada três ou quatro anos.
Quais ferramentas apoiam a avaliação e o acompanhamento de planos de melhoria?
Usar planilhas isoladas pode dificultar a comparação de resultados entre ciclos, a identificação de lacunas estratégicas e o acompanhamento real dos planos de ação. Portais de governança corporativa resolvem esse problema ao centralizar o envio de questionnaires, consolidar as respostas de forma confidencial e manter um histórico rastreável.
Um grande exemplo dessa evolução é a Matriz de Avaliação e Mapeamento de Competências (Skills Tracking) do Convene 9.0.
Com essa funcionalidade, as empresas conseguem ir além do questionário básico de avaliação:
Visão 360° e Estratégica: Permite mapear e monitorar visualmente o mix de habilidades, experiências e competências de cada conselheiro.
Diagnóstico de Gaps no Conselho: Facilita a identificação de competências que faltam para os desafios futuros da organização (como ESG, cibersegurança ou transformação digital), orientando novas nomeações de forma assertiva.
Evolução Contínua: Transforma os diagnósticos da avaliação em planos de melhoria individuais e coletivos, registrando o progresso do colegiado ciclo a ciclo.
Ao utilizar as funcionalidades do software de governança corporativa disponíveis no portal da Convene, a secretaria de governança ganha precisão técnica e o conselho obtém clareza para tomadas de decisão mais estratégicas.
Erros comuns ao avaliar o desempenho do conselho
Um dos maiores deslizes é tratar a avaliação como uma mera formalidade anual, sem realmente dar importância às consequências práticas. Além disso, não garantir a confidencialidade nas respostas pode inibir críticas sinceras. Outro erro é focar apenas no desempenho coletivo, deixando de lado a análise individual. E, por último, é fundamental fechar o ciclo: levantar problemas é apenas o primeiro passo; é preciso transformá-los em um plano de ação com prazos e responsáveis bem definidos.
Pergunta frequente
Como avaliar a qualidade de uma formação de conselheiro empresarial e quais instituições são reconhecidas no Brasil?
No Brasil, a referência mais respeitada é o Programa de Certificação de Conselheiros de Administração do IBGC. Esse programa valida tanto o conhecimento técnico quanto a experiência prática através de um exame e exige educação continuada para que o título seja mantido. Além disso, escolas de negócios que oferecem programas voltados para conselheiros também são bem vistas no mercado. Antes de investir, vale a pena conferir o corpo docente, os casos práticos abordados e a rede de contatos que a instituição oferece.
Conclusão
Avaliar o conselho de administração não deve ser visto como uma burocracia: é uma ferramenta essencial que transforma recomendações de boas práticas em melhorias contínuas e decisões mais embasadas para a empresa.




